Modelo de TCLE para Endoscopia digestiva alta
O TCLE para endoscopia digestiva alta é o documento que registra, antes do exame, o consentimento livre e esclarecido do paciente sobre o procedimento, a sedação, os riscos e as alternativas. Ele deve ser apresentado, esclarecido e assinado com o paciente ainda lúcido, antes do início da sedação.
O que é endoscopia digestiva alta e o que o termo precisa cobrir
A endoscopia digestiva alta (EDA) é um exame que avalia o esôfago, o estômago e o duodeno por meio de um endoscópio, um tubo flexível com câmera introduzido pela boca. Costuma ser feita sob sedação e permite investigar sintomas como dor, refluxo e dificuldade de engolir, diagnosticar gastrite, úlceras, varizes e outras lesões, coletar biópsias e tratar pequenos sangramentos. É um procedimento frequente em Gastroenterologia, em geral rápido e ambulatorial, mas que envolve sedação e manipulação do trato digestivo, o que exige consentimento informado prévio do paciente.
Principais riscos que o TCLE deve registrar
- Reações à sedação, como queda da oxigenação do sangue (hipóxia), alterações da frequência cardíaca (bradicardia ou taquicardia) e variações da pressão arterial, monitoradas durante todo o exame
- Reações alérgicas ou adversas aos medicamentos usados na sedação e no anestésico tópico aplicado na garganta
- Dor de garganta, rouquidão ou sensação de distensão abdominal nas horas seguintes ao exame, em geral passageiras
- Sangramento, mais frequente quando há coleta de biópsias ou procedimentos terapêuticos, em geral leve e autolimitado
- Perfuração do esôfago, do estômago ou do duodeno, complicação rara que pode exigir internação ou cirurgia
- Aspiração de conteúdo gástrico para as vias respiratórias, com risco aumentado em pacientes com obstrução, sangramento ou estômago cheio
- Bacteremia transitória (passagem temporária de bactérias para a corrente sanguínea), evento incomum e em geral sem repercussão
- Flebite ou dor no local da punção da veia onde a medicação foi aplicada
- Necessidade de repetir o exame ou de exames complementares quando a visualização ou o preparo forem insuficientes
Por que o consentimento informado é crítico nesse procedimento
O consentimento informado é crítico na endoscopia digestiva alta porque o exame combina a sedação, que tem riscos cardiorrespiratórios próprios, com a manipulação do trato digestivo, que pode causar complicações raras como perfuração e sangramento. O Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018) e o art. 15 do Código Civil exigem que o paciente autorize o procedimento após esclarecimento adequado. Sem TCLE documentado, o médico fica exposto a questionamentos éticos e jurídicos, ainda que o exame tenha sido tecnicamente bem conduzido. O termo registra que o paciente foi informado e consentiu de forma livre e esclarecida.
O que não pode faltar no modelo de TCLE para endoscopia digestiva alta
Os pontos abaixo são os tópicos que um termo de consentimento para endoscopia digestiva alta deve cobrir. Eles orientam a redação, mas não substituem a revisão por um profissional responsável.
- Identificação do paciente e do médico responsável, com explicação em linguagem acessível do que é a endoscopia digestiva alta e de sua finalidade diagnóstica ou terapêutica
- Descrição da técnica, incluindo o uso de sedação, a possibilidade de coleta de biópsias e de eventuais procedimentos terapêuticos no mesmo ato
- Riscos e complicações possíveis, dos mais comuns aos raros, com menção explícita aos riscos próprios da sedação
- Instruções de preparo (jejum, suspensão ou ajuste de medicamentos) e orientações de cuidado após o exame, como não dirigir no dia da sedação
- Alternativas ao exame e consequências de não realizá-lo, quando aplicável
- Autorização expressa para a sedação e para as condutas necessárias diante de achados ou intercorrências durante o procedimento
- Tratamento de dados pessoais e de saúde conforme a LGPD (Lei 13.709/2018), com finalidade e guarda do registro
- Espaço para dúvidas, assinatura do paciente ou do responsável legal e do médico, com data e registro de que o esclarecimento foi prestado antes do exame e antes da sedação
Perguntas frequentes
O termo de consentimento para endoscopia é obrigatório?
Sim. O Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018) e o art. 15 do Código Civil tornam o consentimento informado um dever antes de procedimentos como a endoscopia digestiva alta. O TCLE escrito é a forma de documentar que o paciente foi esclarecido e autorizou o exame e a sedação.
O TCLE da endoscopia pode ser assinado eletronicamente?
Sim. A MP 2.200-2/2001 e a Lei 14.063/2020 reconhecem a validade jurídica de assinaturas eletrônicas. Uma assinatura eletrônica avançada, com verificação de identidade, carimbo de tempo, registro de IP e trilha de auditoria, atende ao TCLE de endoscopia comprovando autoria e integridade do documento.
Quem deve assinar o termo quando o paciente não pode consentir?
O responsável legal assina o TCLE quando o paciente é menor de idade ou não tem condições de manifestar a vontade. Em situações de urgência que impeçam o esclarecimento prévio, o médico age conforme a necessidade clínica e registra a circunstância no prontuário, segundo as normas éticas vigentes.
O consentimento precisa ser assinado antes da sedação?
Sim. O TCLE deve ser apresentado, esclarecido e assinado com o paciente lúcido, antes do início da sedação. Assinar já sob efeito de medicação sedativa compromete a validade do consentimento, porque o paciente precisa estar plenamente capaz de compreender as informações e decidir livremente.